CRÍPTICO (1)
Tudo morre.
E no entanto é precisamente esse fim incontornável que parece reconfortar algo dentro mim. É instintivo. Algo interior. Hermético e obscuro. Que insisto em guardar dentro de mim como consciência da necessidade de repetição. Repetir e repetir.
Repetir os passos e os lugares. Multiplicar, repetindo, o beijo e o toque da carne quente e amena ao desejo. Transformar os instantes de tristeza sombria uma vez mais num hermetismo sofrêgo e sem descanso.
Repetir e repetir.
Mesmo que me seja afirmada a sentença da obsessão e de uma certa loucura. É não entender a rotina dos meus dias. Não é o desapego. Antes o testemunhar do processo pela repetição e assim adormecer a compulsão.
É sobreviver num estado alquímico que nunca parece satisfazer esta vontade de alinhar o mundo com essa morte.
E então?
Porque é que me sinto tão vivo?
(Fleuma)

Quase como se o abismo também soubesse acolher…
ResponderEliminar